Cotas raciais…
As cotas são parte do que é conhecido como Ações Afirmativas, que são medidas que existem em todo o mundo e têm como propósito dispensar um tratamento positivamente diferenciado a determinados grupos em função da discriminação em diversos níveis em que são vítimas.
A favor
Nosso país vive até hoje no chamado “mito da democracia racial”, ou seja, um país lindo, onde negros, brancos, índios e outras raças vivem em harmonia, todos são iguais e possuem os mesmos direitos.
Então me diga: você acha que a raça negra, aquele grupos de pessoas (que antes não eram considerados pessoas), que formaram grupos para sobreviverem como podiam (e que hoje constituem muitas de nossas favelas), estão em igualdade com os brancos que, em grande maioria, sempre tiveram direitos básicos? Será que esse passado realmente não tem relação nenhuma com a situação em que vivemos hoje e deve ser deixado para trás? Será que a noção social de raça não está diretamente ligada à pobreza?
A história e cultura africana e negra só começaram a ser ensinadas em nossas escolas recentemente por causa da lei 10.639 de 2003. Antes, só aprendíamos a história dos europeus. As crianças negras nem viam sua história na escola, não tinham com o que se identificar, era um nada, não viam sua importância para o país além de terem sido escravos. Assim ficava mais fácil colocar em suas cabeças que após a abolição sempre foram tratados com igualdade de direitos.
As cotas são parte do que é conhecido como Ações Afirmativas, que são medidas que existem em todo o mundo e têm como propósito dispensar um tratamento positivamente diferenciado a determinados grupos em função da discriminação em diversos níveis em que são vítimas. As Ações afirmativas já existem no Brasil por lei (mas não especificamente para negros) desde o início do século XX quando os trabalhadores brasileiros tinham cotas para trabalhar em fábricas de gringos instalados aqui. A Conferência Mundial contra o Racismo, Xenofobia e Intolerância ocorrida em Durban em 2001 foi um dos eventos mais importantes do mundo para a aplicação das Ações Afirmativas em diversos países, levando-se em conta suas características específicas.
Pontos positivos para as cotas:
- As cotas são desiguais e anticonstitucionais, pois a constituição prega a igualdade de direito para todos.
› Mas a constituição diz que todos devem ter direitos iguais, mas ao mesmo tempo diz que, para se alcançar essa igualdade, é preciso promover ações que façam com que todos a tenham. Por que há cotas para mulheres e deficientes em diversos ramos se eles têm que ser considerados iguais aos homens e a quem não é deficiente? Nenhuma cota tem a função de ser eterna, sua função é chegar o mais próximo possível da igualdade pregada na constituição para que ela seja realmente exercida por todos. É função de o Estado atingir essa igualdade que sua principal lei prega e que deixou de promover em épocas anteriores.
- As cotas vão contra o princípio do mérito e pode diminuir a qualidade do ensino superior.
›Mais o próprio mérito do vestibular já é questionado há tempos. Os negros, que são a parcela mais pobre da população não têm como pagar os cursinhos caríssimos que outros estudantes pagam, os pré-vestibulares para negros e carentes foram uma das melhores idéias dos últimos tempos. Além disso os negros sofrem preconceito racial e racismo. As cotas são desiguais para alcançarmos a igualdade constitucional. Sobre diminuir a qualidade do ensino: as cotas são para a pessoa entrar na faculdade e não para sair. Se lá dentro, ele não conseguir as mesmas notas de outros estudantes não cotistas simplesmente não vai se formar e não teremos profissionais incapacitados. A pessoa se forma igual a todos, só seu ingresso na faculdade foi diferenciado. Toda cota deve conter um programa de bolsa de ajuda e, se preciso for, aperfeiçoamento.
- Deviam era investir na educação básica para que todos tenham oportunidades iguais.
›É mais do que óbvio que o Brasil precisa realizar uma melhora no nosso ensino básico e fundamental. E isso excluiria as cotas? Essa reforma deve ser feita e cobrada pela população. Mas mesmo que se comece hoje, é medida estrutural que demanda alguns anos e é preciso que algo seja feito agora. Quem sabe, os alunos cotistas depois de formados não serão autoridades responsáveis por essas melhoras? A melhora do ensino deve ser realizada juntamente com medidas universalistas (para todos) e de Ações Afirmativas, tudo junto. Temos que ver os problemas sociais como um todo, uma teia que se liga e não cada um isoladamente, não podemos ver cada problema separadamente, como a mídia costuma apresentá-los, manipulando a população. As cotas não são e nem devem ser para sempre. Elas são necessárias até que a igualdade seja atingida ou pelo menos que atinja um patamar mínimo.
O presente é construído pelo que foi feito no passado, isso não pode ser negado. As cotas são necessárias, mas nunca devem ser feitas isoladamente.
Cotas não são nem nunca foram uma questão de competência/capacidade pessoal, cotas são largamente utilizadas na sociedade moderna em situações de desequilíbrio ou potencial desequilíbrio, nenhuma cota das inúmeras existentes na atualidade foi criada com a intenção de ferir “direitos” ou “prejudicar” quem quer que seja, todas sem exceção tem caráter de justiça social e principalmente de estabelecimento de EQUILÍBRIO,portanto em tese só seria contra a idéia de cotas os integrantes da elite não conscientizada socialmente ou qualquer grupo tradicionalmente detentor de privilégios.
Contra
Essa atitude de criar cotas nas universidades já é um tipo de discriminação, é apontar aos negros uma inferioridade diante dos outros, porque criar cotas só para os negros, significa dizer que eles ficam em desvantagem aos outros.Com isso a nossa sociedade é preconceituosa.
Cotas raciais não são totalmente justas pelo fato de não haver raça pura no Brasil, somos “uma mistura” com isso a discriminação já começa no momento da inscrição, e potencial e capacidade intelectual, não é justificado pela cor ou raça. E se há cotas para as faculdades deveria abrir também para o mercado de trabalho, pois um diploma não é garantia de emprego. O sistema de cotas para negros caracteriza racismo.
“Políticas dirigidas a grupos ‘raciais’ estanques em nome da justiça social não eliminam o racismo e podem até mesmo produzir o efeito contrário, dando respaldo legal ao conceito de raça e possibilitando o acirramento do conflito e da intolerância.”
Pontos negativos para as cotas:
- Cotas raciais sempre dividem negativamente as sociedades onde são implantadas, gerando o ódio racial e o ressentimento das pessoas que não entraram na Universidade, apesar de terem obtido nota maior ou igual do que os cotistas nas provas de vestibular.
- Cotas raciais sempre enfrentam o problema de como saber quem pertence ou não de alguém a um grupo racial. Pelo sangue? Pela cor da pele? Como o Brasil é um país miscigenado, odiosos tribunais raciais acabam decidindo se alguém pertence ou não a uma “raça” e ocasionam tremendas injustiças, como mostrou o caso dos gêmeos da UnB.
- Cotas raciais desestimulam não só o mérito acadêmico mas encorajam a separação do povo em grupos raciais, destruindo possibilidades de real convívio humano entre pessoas diferentes.Muitas pessoas contrárias às cotas raciais são filhas de pais de cores diferentes.
- Cotas raciais geram preconceito contra pessoas decentes de todas as origens, que gostariam de ser julgadas pelo seu mérito e não pela cor da sua pele. Elas incentivam um clima sem fim de suspeitas de que o aluno negro – cotista ou não – não é competente nem como estudante e nem o será como futuro profissional.
- Cotas raciais recuperam a idéia, de que a humanidade se divide em “raças”, oficializando aquilo que se quer combate.
E você é a favor ou contra de a sua opinião, sobre esse assunto tão comentado em nosso pais.


abril 15th, 2012 at 10:33
sou totalmente a favor da cota, pois o que vemos hoje é puro reflexo do passado, tenho 31 anos sempre que fui ao medico em toda a minha vida nunca foi atendido por um medico negro, ainda na mídia a coisa mais difícil de vermos é um juiz negro ou até mesmo um sequer um político bem conceituado, vivemos sim em um país que é racista e isso um dia tem que acabar pelo menos amenizar. Brancos e negros estão em tamanha desigualdade social e a cota visa esse equilíbrio é um direito constitucional e dever nosso cumprir esse papel apoiando as cotas, para que um dia finalmente vivermos em uma perfeita democracia racial.
maio 30th, 2012 at 15:47
Sou totalmente CONTRA as cotas raciais para ingresso em uma universidade. A cor da pele (sim, porque tratar de ‘raças’ na espécie humana já constitui um erro, biologicamente falando)em nada tem a ver com a capacidade intelectual de uma pessoa e não com a quantidade de melanina que esta possui. Sem mencionar o fato de que num país de miscigenados como é o Brasil onde quase todos somos afrodescendentes, deveriam usufruir do sistema de cotas todos e não somente aquele com fenótipo negroide. Têm o mérito de passar aqueles que se esforçam, estudam e lutam para conquistar uma vaga na universidade e não aqueles que se vitimizam e se apoiam em cotas que geram ainda mais preconceito.
junho 1st, 2012 at 19:13
Para mim é simples. Quando a escravidão foi abolida o que aconteceu? Os negros no outro dia tinham empregos dignos e de remuneração igual a todo o resto? Não, eles continuaram a ser escravos para ter onde dormir, para ter o que dar de comer aos seus filhos (que também trabalhavam) È fácil notar o reflexo disso ainda hoje em nossa sociedade. Se olharmos para a população brasileira que hoje já é de 50% negra, notaremos que 73% dos pobres são negros. E quem disser que isso não é concequêcia
desse passado vergonhoso em que os negros nem eram considerados pessoas, está assinando um atestado de preconceituoso, esta gritando aos quatro cantos que o negro é
inferior e por isso a maioria dos pobres são negros.
Nos não podemos nos esconder atrás de justificativas como “as pessoas tem que ser julgadas pelos seus méritos” para ignorar essas diferenças. E qual mérito seria esse?
O mérito de ter estudado a vida toda em uma boa escola para se preparar, enquanto o outro passou a metade dela vendendo bala no sinal!? E que mérito há nisso? Ter notas maiores do que alguém que não teve as mesmas oportunidades.
O que temos que decidir é: Faremos o correto para ajudar os que merecem, mesmo que beneficie os que não precisam. Ou deixaremos os que precisam esquecidos por medo de beneficiar os que não precisam? E ai?
Mateus Camargos Viana
agosto 27th, 2012 at 23:17
Adorei esse site, ele me ajudou muito a fazer o meu ‘juri simulado’. ‘-’
setembro 10th, 2012 at 16:17
Eu concordo plenamente com o Mateus Camargos, e olha Érica, ninguém está querendo dizer que o negro não tem a capacidade que um branco tem por exemplo, mas foi como o Mateus falou, que a maioria dos negros não tem as mesmas oportunidades que muitos tem para pagar um bom colégio.
setembro 10th, 2012 at 16:18
Eu acho tanto quanto errado esse pensamento pequeno das pessoas, eles apenas fazem as cotas para um equilíbrio social. Sou totalmente a favor do assunto!!!
outubro 10th, 2012 at 23:08
ñ podemos esquese q vivemos em um mundo onde todas as pessoas são iguai uns aos outras,poriso q devemos cuida de todos como asi mesmo,assim em contraremos um resposta para o nosso futuro mas humamo.
outubro 10th, 2012 at 23:13
ñ podemos esquese q vivemos em um mundo onde todas as pessoas são iguai uns aos outras,poriso q devemos cuida de todos como asi mesmo,assim em contraremos um resposta para o nosso futuro mas humamo.pois nossa cutura veio daqueles q mas sofreu,a escravidão com os NEGROS.
outubro 16th, 2012 at 23:30
sou a favor porque so assim alunos negros, pardos,indigenas, paderao ingressar em uma Universidade e daqui mais uns anos nos vamos ver mais medicos negros e outros
novembro 2nd, 2012 at 10:36
A lei é um erro. Estamos cobrindo o sol com a peneira grossa. Se realmente há uma dívida social, essa dívida também se estende a brancos. Ou será que só há negros nos faróis? Ou será que há só miseráveis nessa etnia? Analisar a questão apenas por esse lado é reduzir demais o problema.
A questão é mais profunda e não acredito que é simplesmente dando um acesso à universidade que se vai resolver o conflito. Daqui a pouco o professor não vai poder mais reprovar o aluno das cotas, porque temos uma dívida milenar impagável com eles. Não duvido que chegaremos a isso.
Não é isso que já acontece com a escola pública básica? Não se sabe escrever, mas se possui o diploma de ensino médio que lhe dá acesso à universidade pela lei de cotas. Se um aluno for reprovado, os burocratas da delegacia de ensino (que na prática nada conhecem sobre ensino) “caem sobre a escola” como urubus na carniça. Em que isso realmente ajuda? É o status de aluno universitário que o redime? Ou será que apenas não se está querendo encobrir o câncer educacional brasileiro, criado pelos pedagogos burocratas que ficam aplicando teorias copiadas de outros países, que não deram certo nem mesmo nos países de origem?
Não adianta jogar esse povo todo na universidade, sem ter-lhe dado uma educação digna nos ensinos fundamental e médio. Não seria mais coerente melhorar as condições de educação básica que é destinada a TODOS em vez de esconder a vergonha desse ensino, distribuindo o cartão verde da ignorância acadêmica?
Como se pretende dar condições de progresso (o que é muito positivo e eu sou favorável), creio que ao lado dos investimentos de melhoria do ensino básico atual, se deveria também investir pesadamente em cursos gratuitos de capacitação para os que já “se formaram” no ensino básico, a fim de preencher as lacunas de conhecimento. Isso sim é beneficiar os esquecidos.
Agora, dar-lhes um brevê para pilotar um boeing simplesmente porque nos sentimos culpados por antes ter-lhes dado apenas uma carroça, produzirá mais resultados trágicos do que benefícios.
É uma grande bobagem achar que eles (com raras exceções), chegando lá, vão acompanhar as aulas como todos os demais. É um mito romântico e um desvio de foco acreditar que a lei de cotas vai “salvar” alguém do estado de atraso cultural.
novembro 8th, 2012 at 8:28
Sinceramente vejo as cotas raciais como um ato inconstitucional, uma constituição que prega a igualdade ao mesmo tempo que gera a segregação com esse tipo de lei que ampara uma pessoa tão capacitada como qualquer outra, afinal falta de oportunidades existem tanto para brancos quanto para negros ainda mais se tratando de um pais miscigenado como o Brasil. se devem existir cotas que sejam sociais por que ai sim estaremos sendo justos com todos que não tiveram a oportunidade, pois brancos pobres não tem oportunidades assim como negros.
novembro 16th, 2012 at 17:01
Sou contra as cotas raciais tanto no sistema público de educação universitária quanto para ingresso em instituições públicas. Primeiro, não se trata de de uma guerra de brancos contra negros. A relação entre escravidão e negritudo é óbvia, mas não entre ser branco e ser senhor. Quem aprisionava os negros em África para vender aos ingleses foram homens negros, normalmente reis e rainhas, que hoje diversos membros do movimento negro insistem em exaltar e heroicizar.
Em tempo, no Brasil existiram inúmeros casos de negros senhores de escravos. Se não estou enganada, nos meios urbanos, entre os nos de 1880 e 1890, o números de senhores negros era maior do que de senhores brancos. Logo, não existe uma relação mecânica e direta entre ser branco e ser senhor de escravos.
Ainda, o racismo no Brasil se dá em relação ao fenótipo do sujeito e nao de sua ancestralidade. É sua cor e não sua ascendÊncia. De modo que, cotas em espaço de acesso em que a imagem direta se dá, parece-me bastante justa. Ou seja, mídias, por exemplo. Mas em lugares cujo acesso não se relaciona diretamente com a imagem, não é concebível. Ninguém olha para a cara do sujeito quando faz a prova do vestibular. De modo que considero a cota racial, onde o acesso não se estabelce diretamente com a a visão de imagem do candidato ao cargo, uma ação corrupta!
novembro 19th, 2012 at 17:12
Cota racial é política, cota social é esmola.
Paulo Ghiraldelli Jr., filósofo.
A pior defesa que conheço das cotas para negros e índios na Universidade brasileira é a dos que dizem que isso se insere em uma política educacional de compensação. Em geral, essa defesa é feita pela esquerda.
O ataque mais perverso que conheço contra as cotas raciais é o dos que dizem que defendem, ao invés destas, as cotas sociais. Em geral esse ataque é o da direita, em especial o que é dito pelos parlamentares do PSDB e DEM.
Cota racial advém de uma política contemporânea, em geral de cunho social-democrata ou, para usar a terminologia americana, mais apropriada ao caso, liberal. A cota social é esmola, tem o mesmo cheiro da ação de reis e padres da Idade Média, e aparece no estado moderno travestida de política.
A cota social não faz sentido, pois o seu pressuposto é o de que há e sempre haverá pobres e ricos e que aos primeiros se dará uma compensação, que obviamente não pode ser universal, para que alguns usufruam da boa universidade destinada aos ricos. É como se dissessem: também há pobres inteligentes que merecem uma chance para estudar. O termo social, neste caso, é meramente ideológico. Não se vai fazer nenhuma ação social com o objetivo de melhoria da sociedade. O que se faz aí é, no melhor, populismo, no pior, a mera prática a esmola mesmo.
A cota racial não pode ser posta no mesmo plano da cota social. Todavia, a sua defesa cai na mesma vala da cota social quando se diz que ela visa colocar os negros na universidade, até então dominada pelos brancos, para que se possa compensá-los pela escravidão ou pelo desleixo do estado ou pelo racismo velado ou aberto. Não! Cota racial não é para isso. O objetivo das cotas é o de colocar um grupo no interior de um lugar em que ele não é visto para que, assim, de maneira mais rápida, se dê o convívio social entre os grupos nacionais, de modo a promover a integração – o que passa necessariamente pelo convívio que pode levar ao conhecimento entre culturas, casamentos, troca de histórias e criação de experiências comuns. A questão, neste caso, é de visibilidade do grupo por ele mesmo e da sociedade em relação aos grupos.
No Brasil há miscigenação. E em grande escala. Ótimo! Mas não basta. Não é o suficiente porque há espaços físicos e institucionais, no Brasil, que não estão disponíveis para determinados grupos étnicos e isso promove uma má visibilidade da nossa população em relação a ela mesma. A população não vê o negro e o índio na universidade e, com isso, não formula o conceito correto de aluno universitário: o universitário é o estudante brasileiro de ensino superior.
Ora, se você não vê o negro e o índio nesse espaço, o conceito não se forma de modo ótimo, o que é gerado na mentalidade, ainda que não verbalizado de maneira completamente clara, é o seguinte: o universitário é o estudante brasileiro branco de ensino superior. Isso é o pré-conceito a respeito de aluno universitário. Ele está aquém do conceito – por isso ele é “pré”. Ele pode gerar uma visão errada e, a partir daí, uma discriminação social, em qualquer outro setor da vida nasional.
Assim, para resolver o problema de brancos, negros, índios ou qualquer outro grupo, do ponto de vista social, no sentido de fazer com que todo brasileiro tenha acesso à universidade, a política não é a cota social. Também não é a cota racial. A política correta é a melhoria da escola pública básica, para que todos possam cursar, depois, o melhor ensino universitário. Agora, para resolver o problema da diminuição do preconceito em qualquer setor e, é claro, não só no campo universitário, uma das boas políticas é ter o mais rápido possível o negro e o índio em lugares onde esses brasileiros não estão.
Portanto, também na universidade; e é para isso que serve a cota racial. Isso evita a formação de uma mentalidade que se alimente de formulações aquém do conceito – há com isso a diminuição da formação do pré-conceito e, portanto, no conjunto da sociedade, menos ações prejudiciais contra negros e índios.
Foi assim que a América fez. As cotas ampliaram rapidamente o convívio e mudaram a mentalidade de todos. Mesmo os conservadores mudaram! O preconceito racial que, na época de Kennedy, era um problema para o FBI e, depois, do Movimento dos Direitos Civis, diminuiu sensivelmente nos anos oitenta. A visibilidade do negro se fez presente diminuindo sensivelmente o que o americano médio – negro ou branco – pensava de si mesmo. Foi essa política que permitiu um país com bem menos miscigenação que o nosso pudesse, mas cedo do que se imaginava, eleger um Presidente negro – algo impensável nos anos 60.
A ação em favor da cota social é um modo de não dar prosseguimento à política educacional democrática e, ao mesmo tempo, atropelar a política de luta contra a formação do preconceito racial. É uma ação da direita contra a esquerda. A esquerda defende sua política de modo errado ao não lembrar que a cota racial não é política educacional, é política de luta pela integração e pela ampliação da visibilidade de uma cultura miscigenada para ela mesma.
Cota não é para educar o negro e o índio, é para educar a sociedade! Ao mesmo tempo, a esquerda se esquece de denunciar que cota social, esta sim, quer se passar por política educacional e, na verdade, não é nada disso – é uma atitude ideológica conhecida, que sempre veio da direita que, sabe-se bem, sempre teve saudades de uma época anterior ao tempo da formação do estado moderno, uma época em que a Igreja e os reis saiam às ruas “ajudando os pobres”.
Os senadores que defendem a cota social e não a cota racial, no fundo imaginam o mesmo que os ricos da Idade Média imaginavam, ou seja, que os pobres existem para que eles possam fazer caridade e, então, como os pobres – de quem o Reino de Céus é dado por natureza, como está na Bíblia – também consigam suas cadeiras junto a Jesus.
Não deveríamos estar debatendo sobre cotas. Afinal, já as usamos em tudo. Por exemplo, fizemos cotas de mulheres para partidos políticos e, com isso, diminuímos o preconceito contra a mulher na política. Por que agora há celeuma em uma questão similar?
Ah! É que a cota racial mexe com os brios dos mais reacionários. No fundo, eles não querem mesmo é ver nenhum negro ou índio em espaços que reservaram para seus filhos.
novembro 22nd, 2012 at 19:04
Sou CONTRA as cotas. Tenho 16 anos e já estudei em colégio publico, atualmente estou em uma escola particular. Costas para mim é sim um tipo de preconceito e uma injustiça, essa historia de menos oportunidade, por favor, acho nada haver. Já vi gente POBRE, NEGRA, querendo melhorar na vida e correu atrás das oportunidades, e conseguiu. Um exemplo, teve um MENDIGO que ficou estudando na biblioteca e passou para uma faculdade publica com MÉRITO(isso passou no JORNAL a pelo menos 1/2 anos atraz). Se as cotas são para os menos desfavorecidos, deveria se 50% para os pobres, e não para os negros. MINHA OPINIÃO